22.6.18

TALVEZ EU






Talvez eu seja ainda com a poesia
um recorte musical de água corredia.

J. Aberto de Oliveira

Desenho; José Rodrigues

18.6.18

EU MALANDRO





As realidades imaginadas são mais lembradas e seguras na memória que os acontecimentos do quotidiano.
Isto só para dizer que em menino eu era imaginativo.

A imaginação nasce do pensar, ver e sentir atentamente.
É um exercício interior.
Eu quase não mentia. As verdades eram minhas e saíam do mais íntimo de mim.

Quando eu era menino inventava peripécias e brinquedos, adivinhava o invisível, imaginava esferas nunca vistas.
A Mãe, sempre atenta, dizia: és um malandro e enganador.
Eu amava a ironia. Esse modo crescente da lucidez.
Eu era malandro.
E a mão que assim escreve ainda não treme.
Ela sabe que o branco foi dado
às horas mais brancas de haver infância.

J. Alberto de Oliveira

Imagem: Joan Miró


15.6.18

A REALEZA DO POEMA




Era de poucas linhas
e de tinta à míngua

a realeza do poema.

A língua
era do vento ardendo.

J. Alberto de Oliveira


Imagem: Maria Côrte-Real

7.6.18

CHARLES CHAPLIN





Charles Chaplin retratou deste modo a personagem Charlot:

“É um vagabundo e ao mesmo tempo um cavalheiro, um poeta, um sonhador, um solitário, sempre ansioso por idílios e aventuras. Gostaria que o tomassem por um sábio, um músico, um duque ou um jogador de pólo. Mas não desdenha de apanhar uma beata do chão, nem de furtar o chupa-chupa a um bebé. E, é claro, não perde a ocasião de dar um pontapé no traseiro de uma senhora... mas só quando está fulo!”

Charles Chaplin - Autobiografia

1.6.18

NA CURVA DO MUNDO




A lua que se atrasa
na curva do mundo

faz perguntas
a quem não passa.

A vida é cega
na curva do mundo.

A lua desassossega
a poeira do ar.

J. Alberto de Oliveira

25.5.18

O AMOR É UMA COMPANHIA





O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Fernando Pessoa/Aberto Caeiro


IMAGEM:
Hereinspaziert! Der rote Teppich ist ausgeroll.
(Entrem! O tapete vermelho está lançado.)

Fernando Pessoa na passadeira vermelha do teatro Schauspielhaus (Zurique) - Suíça

21.5.18

OBRAS POÉTICAS






com o nome José Alberto de Oliveira:

Alegria Irrecusável (1974) – esgotado
Nos Vidros da Noite (1983) – esgotado


com o nome J. Alberto de Oliveira:

A Água do Nome – Edições Afrontamento, 1998
O Som Aproximativo – Edições Afrontamento, 2005
Palavras Escolhidas – Cadernos Nó Cego (1), 2005 (plaquete, fora de mercado)
No Linho Verbal – Cadernos Nó Cego (2), 2006 (plaquete, fora de mercado)
7X7 Versos – Cadernos Nó Cego (3), 2008 (plaquete, fora de mercado)
O Anjo Inefável – Cadernos Nó Cego (4), 2012 (plaquete, fora de mercado)
Entrepoemas - Edições Afrontamento, 2014
O Mês Maio da Mãe – C. Art, 2015
Das Varandas de Ver – Cadernos Nó Cego (5), 2917 (plaquete, fora de mercado)

DIVISA