21.11.22

AUTO-RETRATO COM LUAR


 

O luar inunda as noites do mundo.

Se os desleixos de pobre e a miséria de pedinte não me sujam, também o luxo e a arrogância de rico não me emporcalhem.

Tenho o que posso e mereço.

A elegância do corpo e do espírito inspira, conduz-me e pacifica. O importante é haver espaço e luar. E sobretudo, saber lidar com os engenhos da existência.

J. Alberto de Oliveira


8.11.22

QUANDO O AMOR


 

A inspiração vem do orvalho

dado pelo grande silêncio

 

quando o amor te adivinha.

 

Há um silêncio que se move

entre os efeitos do destino

 

e os insectos luminosos

que dialogam no escuro.

 

Quando o amor te imagina

 

até o próprio sono se mistura

com o fogo e suas memórias.

J. Alberto de Oliveira


3.11.22

NA ÚLTIMA DOBRA


 

Na última dobra do linho

o acto de quem nos leva

 

apaga as coisas visíveis

e tira-nos o tubo do oxigénio.

 

Na última dobra do linho

morre-se deste modo:

 

simplesmente com falta

de ar e de poesia.

J. Alberto de Oliveira


23.10.22

A HORAS E FORA DE HORAS


 

A horas e fora de horas

eu te sublimo ó regra de existir

 

com segredos e o perfumado

linho da nudez.

 

O sangue e o sal rodam

ainda em ferida.

 

As aves que partem

tersas e velozes

 

são versos

de lenços mais que sonhados.

J. Alberto de Oliveira


13.10.22

VIRADO DO AVESSO


 

Quando as ideias de Deus

me tocam

fico logo virado do avesso.

 

Igual a uma folha nua

e seca

exposta ao vento e à chuva.

 

Quando os sentidos da vida

apuram sopro a sopro

a poesia e seu fascínio

 

com a realeza do amor

cumpre-se o que imagino.

J. Alberto de Oliveira


23.9.22

O MAR DE NAUSÍCAA


 

De onda em onda

a luminescência mede-me

 

as horas

e os movimentos do mar.

 

Ela conta-me histórias

dos que navegam.

 

Dos que não voltam atrás

e se perdem

 

só para falar com Nausícaa.

J. A. de Oliveira