23.3.17

A SEDA MUSICAL DE CHOPIN







Ressoa em sopro e silêncio a imagem
da mulher que se move na lembrança.

Com arte e luz de flor subtil
a mulher resume um livro difícil.

Com razão e sequências da alma
o ar começa por um fio de seda musical
                                  
a entretecer os nocturnos de Chopin.

J. Alberto de Oliveira

Imagem - Eugène Delacroix: Retrato de F. Chopin e George Sand

20.3.17

SUPER FŒTIDA FLUMINA




Pairar acima das fétidas águas
da morte.

Oh, os rios malcheirosos!

Nauseabundas correm as águas
insanas dos rios gerais.

Oh, os rios tristes da mixórdia.

J. Alberto de Oliveira

13.3.17

VARIAÇÕES GOLDBERG




Trinta e dois tempos
musicais

fluindo em consonância.

A firme natureza
do amor tem cor.

A tua alma vê-se.

J. Alberto de Oliveira

A FERRO E FOGO




O medo e o pavor de aranhas
fecharam a ferro e fogo

o jardim maternal do sol.

Entre a ferrugem copiosa
e os espigões da frieza

o poema não floriu mais.

O medo e a aridez
devastaram-lhe as rosas.

J. Alberto de Oliveira

Photo:"Claramente azul" - Leça da Palmeira

2.3.17

ANTÓNIO NOBRE



Tem os olhos encostados
ao ocidente.

António Nobre está só
e dado ao desassossego.

Há demasias de melancolia
a sangrar nele.

O poeta vai morrer só.

J. Alberto de Oliveira

26.2.17

PROVÉRBIO EM TRÊS VARIAÇÕES




Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar.
Provérbio

Mais vale uma só mão a voar do que dois pássaros.
Herberto Helder

Mais vale um pássaro na mão do que duas mãos a voar.
J. Alberto de Oliveira


Pintura: "Menina com Pomba" - Pablo Picasso

17.2.17

DO AMOR EM FOGO DE AMORES




Quanto pesa o fulgor
de uma camélia de luz?

Todas as criaturas
respiram o seu próprio nome.

No ar perduram os sinais
do amor em fogo de amores.

J. Alberto de Oliveira

8.2.17

O CÂNTICO DAS CRIATURAS




S. Francisco de Assis no fim de seus dias
soletrou versos cantantes.
Resumiu em poucas e simples palavras a boa nova da criação.
Ditou de cor ao mundo o Cântico das Criaturas.

J. Alberto de Oliveira

Imagem: Alberto Péssimo