14.4.15
O HERBERTO HELDER
Ontem, o Herberto Herder
fechou-se "inteiro no poema".
É injusta a morte dos deuses.
Não queremos que eles morram.
Esperamos que fiquem sempre connosco
a respirar o mesmo ar
da nossa condição precária.
J. Alberto de Oliveira
24/03/2015
4.4.15
MANOEL DE OLIVEIRA
Não
gosto de ir a funerais.
Fui ao funeral do
Manoel de Oliveira
para louvor e por
gratidão.
Ao seu nome foram
concedidos 106 anos
de sal e dons
transmudados em eternidade.
Demais a mais
a hora e o dia eram
consonantes
com a substância divina
e com a matéria de
suas imagens futuras
se Deus e os anjos
a par e passo
estiverem pelos ajustes.
J. Alberto de Oliveira
Foto: Alfredo Cunha
RESSURREIÇÃO
O
que aprendi com Teresa? Que a ressurreição não é um acto de potência divina,
mas a suprema manifestação de amor. Dar a vida não chega, não é um acorde
consonante com a substância. Ressuscitar, sim, é o acorde perfeito.
[…]
– Sim – diz-me ela, pousando as mãos
nos meus joelhos: – Desejo encontrar alguém que me ame com bondade, e que seja
um homem.
– Alguém que queira ressuscitar para
ti?
– Sim. Alguém que tenha para comigo
essa memória.
Maria Gabriela Llansol – O Jogo da Liberdade da Alma
24.3.15
VERSOS PARA AMÁLIA
Se o silêncio me calar
onde queres que eu escreva
uma citação do teu fado?
E se o destino me perder
onde queres Amália
que eu deixe um recorte
de teus versos rimados
teus versos de fala cantada
que te couberam em sorte?
J. Alberto de Oliveira
11.3.15
NOMES SELADOS
Os nomes selados em testamento
são a voz de meu pai e da mãe
que se elevam à altura
da eternidade que os acompanha.
Já não há morte nem pronomes.
Apenas o arco e o silêncio do azul
a dar-se à cor mais pura da alma.
J. Alberto de Oliveira
6.3.15
O SONHADOR
O
meu nome é José, sonhador como o outro, o do Génesis.
Eu
sei que me olham de soslaio todos aqueles que se contentam com as fronteiras do
realismo do ter e do poder.
Quando
me sento no tapete da sensibilidade e da contemplação, eu sei que me atiram
para as margens.
Eu
sei que desconfiam dos sonhos e da inteligência visionária.
J. Alberto de Oliveira
26.2.15
NO VIDRO DA JANELA
A palavra que me escreveste
no vidro da janela
diluiu-se em transparência.
Não te esqueças
oh musa
J. Alberto de Oliveira
14.2.15
DA ALMA DE CHOPIN
Quando abriste oh Lys
o dicionário na palavra batimento
eu não sabia o que vinhas inspirar.
Como não disseste nada
eu pensei em batimentos da alma
batimentos do coração e outros.
Eu não sei mas hei-de saber
se umas tantas notas musicais
também são batimentos ou
tão só movimento de partículas
da alma de Chopin
no coração abrasivo do cristal.
J. Alberto de Oliveira
Imagem: F. Chopin - George Sand - por E. Delacroix
25.1.15
NA MINHA MÃO ESQUERDA
Na minha mão esquerda
há um sopro em chamas.
Na minha mão esquerda
uma pedra em rodopio
outras pedras chama.
Com a mão esquerda
aprendo a partir a noite
nos vidros da tua casa
de altas janelas ao luar.
J. Alberto de Oliveira
3.1.15
27.12.14
OS DEGRAUS DA ESCADA
E o anjo de Dional
veio à boca do poema dizer
todos os degraus da escada
servem para descer com o vento
e subir ao céu mais alto do ar.
J. Alberto de Oliveira
Imagem: Marc Chagall
19.12.14
ROSA POEMÁTICA
No modo crescente
de ver o ar alumiado
flutua a beleza
alusiva ao júbilo.
É rosa poemática
o aprumo da luz.
J. Alberto de Oliveira
30.11.14
A INOCÊNCIA DA LÍNGUA
Não faço palavras cruzadas.
No dicionário da alma
procuro somente o que é dito a lume e ao ouvido.
Eu pratico a inocência da língua.
J. Alberto de Oliveira
17.11.14
O TEMPO DE NÃO HAVER TEMPO
É longo e precioso o tempo que levo
a recolher as letras necessárias
para escrever o nome das coisas que faltam no poema.
J. Alberto de Oliveira
14.11.14
O NÓ CEGO
“Eu sou o nó cego do meu próprio nome”, disse o poeta.
E, naquele dia, não escreveu mais nenhum verso ou
argumento da melancolia.
Saiu de casa. Desceu ao jardim.
Sentou-se ao pé da sua pedra e ficou a ouvir um canto fora de
moda.
A ressonância musical era de cotovias.
J. Alberto de Oliveira
10.11.14
EVIDÊNCIAS
A poesia, o oiro e um vinho de núpcias
nunca se deixam oxidar.
J. Alberto de Oliveira
29.10.14
LER ENTREPOEMAS
Entrepoemas é um estado afectivo.
Uma sobreimpressão de imagens, lembranças e pensamento.
Ou talvez seja apenas um lugar do devir.
Uma espécie de tela onde figuram os luxos da alma.
Um dia chamar-lhe-ei amoris causa.
J. Alberto de Oliveira
Entrepoemas - Edições Afrontamento
29.9.14
COM AS ÁGUAS DO RIO
Eu jogo e me conjugo
com as águas do rio
com as águas do rio
mensurando a altura
e a paz da paciência.
Ao ritmo da mão atenta
indo com o rio vou indo.
J. Alberto de Oliveira
13.9.14
27.8.14
O GRITO
Entre as mãos
escondo o rosto.
O mundo arde ao abandono.
O mundo arde ao abandono.
Ressoa o grito a escaldar de dor.
J. Alberto de Oliveira
4.8.14
"RUA DA PORTA TREZE" - Vila Nova de Cerveira
ALGUÉM NA RUA
Alguém se serviu
do sol e da altura
para estender
em fios do vento
sombrinhas às cores.
Alguém ali me viu
no eixo feliz da rua
J. Alberto de Oliveira
31.7.14
OPUS CONTINUUM
Com o brilho da mão
ensina-me o que sonhas.
Desenha sobre o linho
o verbo mais intenso
em ponto de silêncio.
J. Alberto de Oliveira
15.7.14
QUATRO ROSAS RUBRAS
Quatro rosas rubras
de sangue e ternura.
Quatro primícias
luzentes no teu nome
dito por inteiro.
Quatro varas floridas
alumiam oh Mãe
J. Alberto de Oliveira
MEMORANDUM
Olinda Ferreira de Oliveira
13-07-1924 - 16-05-2013
4.7.14
SOPHIA
Quando me inclino sobre a paisagem textual da Sophia
estremeço como um
leitor indefeso.
A constelação de versos e frases é tão viva e clara
que me fere o olhar.
As palavras da Poeta evidenciam o injusto e denunciam o impuro.
Muito gostaria eu
de também denunciar as mentes académicas
que lhe trocaram
o pequeníssimo talhão de terra
ao ar livre
por um panteão
propício ao bafio, a turistas e penumbra.
J. Alberto de Oliveira
1.7.14
OH MARAVILHA DA ALMA
para a Lys
Oh maravilha da alma
que se alicerça no fulgor
de coisas cheias de infância.
Oh alumiação de ser
o vento na escrita a corrigir
sentimentos e frases pequenas.
Oh duplo sopro inebriante
ao citar-me o nome de Alice
J. Alberto de Oliveira
Retrato de Alice Liddell no Verão de 1858
8.6.14
ALUMIAÇÕES
Oh dulçor de segredos e
versos
nas alumiações de Bëatrice.
Oh fulgor e maravilha
da grande rosa de três cores.
Oh suma claridade suprema
de substâncias eternas.
Com o teu nome apura o amor
che move il sole e l’altre stelle
a luzir onde luz Dante Alighieri.
J. Alberto de Oliveira
Dante Alighieri - desenho de José Rodrigues
Texto e desenho expostos no Palácio do Freixo - Porto - no
âmbito da Festa de Itália: "o mundo em italiano".
Texto e desenho expostos no Palácio do Freixo - Porto - no
âmbito da Festa de Itália: "o mundo em italiano".
27.5.14
O RUBRO SANGUE
O coração
está sempre a mudar de sítio.
Nunca se engana.
Adivinha onde mais dói.
O rubro sangue
movido pelo sentir do coração
lateja onde a vida mais sofre.
J. Alberto de Oliveira
8.5.14
A ARTE MATERNAL DA MULHER
A mulher
não esconde a sua natureza
íntima e cúmplice da terra.
É lição exímia da realeza
a arte maternal da mulher.
J. Alberto de Oliveira
Desenho - (1902): Pablo
Picasso - Maternidade
26.4.14
À MESA DE LEITURA
Quando o
menino se sentou à mesa de leitura, com o seu primeiro livro de todos os dias,
a mãe cozia uma fornada de pão.
A carqueja
e a caruma ardiam no forno. Difundiam o fumo que perfumava as roupas, os
cabelos, as mãos,
os olhos e o espaço em volta.
Do ventre
quente do forno saíam faúlhas que transmitiam o prazer de ver e de estar ali.
O fumo e as
faúlhas subiam com as ideias e o sentimento das palavras que o menino soletrava.
– Filho, lê
um bocadinho mais alto para eu ouvir.
As mães são
as melhores companheiras de leitura dos filhos.
O lume
luzia no forno.
A massa
levedava em silêncio e aconchego na masseira fechada, sob o efeito do crescente
que a vizinha trouxera, na véspera, ao entardecer.
O lume
ardia sob os efeitos do seu próprio destino.
E a criança
lia, soletrando o que aprendia.
– Mãe, tu
gostas tanto de cozer pão como gostas de ser mãe?
– Se as
mulheres não tivessem filhos, não era preciso o trabalho da cozedura do pão.
Não havia gente a pedir o pão que se come todos os dias. E se faltasse o pão,
até mesmo a nossa boca perdia o sabor.
A mãe, a
primeira mestra de todas as leituras, tinha sempre uma resposta. Ela sabia de
cor bonitos e sábios segredos.
– Filho,
vou-te dar um conselho que me ensinou a minha madrinha, quando eu era pequena,
e que nunca mais esqueci: “pão, roupa e um vintém, não carrega(m) ninguém.”
– Não
percebi nada!
– Um dia
vais entender.
Naquela
casa, a mãe sustinha o esteio da vida, os rituais do quotidiano, os prazeres da
fala e da infância.
Naquela
casa térrea, aprendia-se a esperar o pão e as delícias da ternura. Aprendia-se
a descobrir frases futuras.
– Filho, lê
essa ideia outra vez!
– O quê,
mãe?
– As palavras
que leste agora no livro. Diz outra vez!
– As rosas
são as namoradas do sol.
– Que lindo,
filho! Nós ainda vamos aprender muitas coisas assim bonitas. Nós havemos de
saber mais do que todas as coisas que se ensinam nas escolas todas do mundo.
A mãe reconhecia
o filho à mesa de leitura.
O menino
reconhecia a mãe no acto de cozer o pão, no modo de pensar, nos sentimentos, no
olhar e nas palavras que dizia.
Mãe e filho
eram duas verdades unidas por um elo único e precioso.
O menino
que lia devagarosamente, não adivinhava que nas lembranças da mãe se inteirava
e repetia o momento do seu próprio nascimento.
Debaixo da pele da infância que a mãe nutria, o
filho era a imagem do crescimento contínuo, esperando o pão nosso de cada dia.
O menino
soletrava, decifrando pequenas frases maternais invisíveis nas linhas do livro.
Um dia, alguém
disse mais ou menos isto: dois seres afectuosamente confidentes, unidos pelo
prazer de existir, são causa mútua de vida e júbilo.
Outro dia,
o menino de sua mãe, que nasceu poeta e poeta cresceu, lembrou-se de escrever
num caderno de versos:
No miolo do
pão
as mães deixam o sal
o sopro e o
coração.
J. Alberto de Oliveira
in O teu Dia, Mãe
C ART- 2014
17.4.14
LUZ E VERSOS FUTUROS
Se me vires dormente ou morto
não me deixes assim exposto.
Ressuscita-me através do nome.
Não me queiras cego e surdo.
Preciso de luz e versos futuros.
J. Alberto de Oliveira
2.4.14
CINCO BALÕES
– Cinco balões baloiçam
presos aos teus dedos. Os cinco balões que eu daria ao vento e à vida.
– Queres, então, que os solte? Posso deixá-los ir?
– Agora não. Espera pelo fim de mim.
J. Alberto de Oliveira
15.3.14
PELA PRIMEIRA VEZ
Foi com júbilo e surpresa ir à escola pela primeira vez,
numa certa manhã de Outubro do ano 1952.
Perdido
no meu ar pensativo, de casa me levou minha Mãe.
A
professora, airosa e moça, com doçura de alma e boas palavras me recebeu. Disse
um não sei quê de espanto e alvoroço. Depois, sentou-me numa carteira, a par de
uma menina com espírito e nome de Rosa, que em todo o resto do dia me ensinou o
que já aprendera de cor.
Pelo
sentido intuitivo de três corações falantes e femininos se abriu para mim a
porta da escola.
Com a solicitude maternal principiava o exercício contínuo de escrever e ler.
Começou nesse dia outonal uma pronúncia
diversa e dura.
Firmava-se
o alicerce verbal do futuro.
J. Alberto de Oliveira
9.3.14
OS MESTRES DE PROVAR O VINHO
Os mestres de provar o vinho não falam.
Estudam os efeitos do mosto no escuro.
Com a boca adivinham o labor
da luz que amadureceu as uvas.
Eles dão ao pensamento a combustão da saliva.
Com a língua movem a cor e o auge do vinho.
J. Alberto de Oliveira
18.2.14
PRELÚDIO VESPERTINO
Mais firme e justa que o pulso
a bater em cadência musical
corria a voz que chamava
à hora exímia do crepúsculo.
Com amor e o sopro leve
a mãe reduzia a distância
J. Alberto de Oliveira
1.2.14
BRINCAR COM A ALMA
Quando eu não posso brincar
com a alma
as horas ficam sem ressonâncias.
De bruços caio no lamaçal
de morrer.
Faltam-me as palavras
e as imagens de ver.
Quando eu não posso brincar
com a alma
J. Alberto de Oliveira
Fotografia: José Marafona
19.1.14
A SINTAXE DA VIDA
Ando ainda a aprender a ler.
Ainda aprendo a apurar a sintaxe da vida
para um dia morrer em paz
com as bagadas que me restam.
E que a morte seja a bênção do olhar que me quer
para além do olhar.
J. Alberto de Oliveira
Fotografia: José Marafona
28.12.13
UM TEMA VIVO DO VENTO
A
língua que eu falo
dissolve-se
na água
que
avidamente bebo.
Com
substantivos do mar
é um tema vivo do vento.
Resume-se
a dois dedos
de
conversa e de silêncio
J. Alberto de Oliveira
9.12.13
O FIO DE ARIADNE
Oh soberana maravilha
escrever o poema
com a tinta das palavras!
Oh prodígio de vida
tecer o fio de Ariadne
com linfa sal e saliva!
J. Alberto de Oliveira
27.11.13
QUANDO IMAGINO DE MAIS
Quantos anos e dias mais
terei de sal e de
lembranças?
Em ti eu me crio ainda
oh Mãe
quando imagino de mais!
J. Alberto de Oliveira
Imagem: H. Matisse
19.11.13
O MEU CLAMOR
Para Deus elevo o meu clamor:
que ninguém me engane a alma
nem me esgane o pescoço.
J. Alberto de Oliveira
17.11.13
CITAÇÃO
Cito as palavras de cor:
Os inteligentes discutem ideias.
Os medíocres falam de coisas e dinheiro.
E os bufarinheiros falam da vida alheia.
Quem escreveu assim, tão verticalmente?
Quem foi?
Gostava tanto de lhe dar os parabéns.
J. Alberto de Oliveira
6.11.13
O LIVRO
“Porque a alma é um abismo” (Álvaro de
Campos), quem a lê no mais profundo dos
livros?
Há inúmeros livros. Uns mais
preciosos que outros.
Com o espírito dos “que
são pedintes e pedem”(Álvaro de
Campos), eu só peço o Livro que tanto procuro.
Já foi escrito?
Eu só quero o Livro que me há-de escrever.
Eu só peço o Livro que me ensine a permanecer no
juízo da luz.
Que me faça gritar como
Álvaro de Campos:
“Merda! Sou lúcido”.
J. Alberto de Oliveira
Imagem: José Marafona
22.10.13
PARA QUE SERVE A POESIA?
Para que serve a poesia?
Eu sei que há poucos poetas e reduzido é o número dos
legentes de poesia. Se eles fossem muitíssimos e pudessem formar um exército, sem dúvida que arrasariam o mundo só para conhecer a verdade.
Esta é a possível e única utilidade que devo atribuir à poesia e aos seus amantes.
Ao poeta não basta escrever ou ditar um verso para seu júbilo e consolação.
É preciso ouvir no mais íntimo a fala e a música contínua do anjo.
A tarefa primordial do poeta é lutar com o anjo a horas incertas da noite.
J. Alberto de Oliveira
Imagem: Renato Roque
16.10.13
O PULSO DE BACH
O
pulso de Bach, em exercícios musicais,
anula
as trevas e fronteiras.
Amplia
o horizonte da inteligência e da lucidez,
instaurando
a geometria sumptuosa da alma.
Incute
o sagrado respeito pelo rigor intuitivo de Deus.
O
ritmo dos ventos no pulso de Bach
incita à escuta do silêncio branco.
J. Alberto de Oliveira
6.10.13
ESCREVER SOL
Com os dedos
cheios de tinta
do azul do mundo.
Com os dedos
sobre os olhos
replenos de azul
eu sei doravante
como escrever sol.
J. Alberto de Oliveira
DO AVESSO
Quando as roupas são a minha segunda pele,
acontece o quê,
se me desnudo?
Fico todo à flor da nudez.
Despir-me é virar-me do avesso.
O desvestimento livra-me dos adornos, do disfarce,
dos
complementos.
Talvez a nudez seja a pureza mais próxima da verdade
entendida como um espaço de profundíssimas águas.
J. Alberto de Oliveira
21.9.13
UM SELO DE LEITURA
Nasci afeiçoado à melancolia
e ao único verbo que estudo.
Por razões de alma e nudez
sou na ampola do mundo
um selo de leitura pensativa
lendo uma frase de cada vez.
J. Alberto de Oliveira
18.9.13
NOCTURNO QUASE PERFEITO
Não me perguntes
donde vem a noite
com a lua quase perfeita
em sua fase de letra D.
Não me perguntes
nem peças nada.
Desenha-me apenas a lua
e o silêncio por inteiro.
J. Alberto de Oliveira
23.8.13
RAÍZES AFECTUOSAS
O verbo de meus versos conjuga-se no modo e tempo
de uma
surpresa de cada vez.
Hoje, a hora do amanhecer foi para as crianças, para
os
cantores do louvor e para os colecionadores de sonhos
e lembranças.
Todos os dias eu peço aos cantores do louvor
que me traduzam o timbre do silêncio na cal
e me ensinem a ler no solfejo do inefável.
e me ensinem a ler no solfejo do inefável.
J. Alberto de Oliveira
30.7.13
ANTÓNIO NOBRE
Hirto de mágoa,
Anto falou a eito acerca de si
próprio,
das pessoas, de lugares e coisas do quotidiano.
Restaurou os sons e a sintaxe da melancolia.
Ao Mundo vim em terça-feira
Um sino ouvia-se dobrar!
[…]
Vim a subir pela ladeira
E, numa certa terça-feira,
Estive já pra me matar…
Com o Poeta vieram e dobraram
as dores que depressa o levaram.
as dores que depressa o levaram.
J. Alberto de Oliveira
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