12.7.11
A ESTÉTICA DO FOGO
Após vinte e sete anos voltei para ler a carta.
Soletrei-a até ao último parágrafo, até ao seu amistoso fecho.
E depois, depois recorri à estética do fogo.
Tenho confiança nos apontamentos da memória e nos recursos da alma.
J. Alberto de Oliveira
ABUNDÂNCIA VIVA
Água infindável
e corredia.
Abundância viva
e primordial.
Matéria escrita
no sentido das linhas
ou dos versos
que a esperam.
Água pronunciada
no dialecto da terra.
Matriz atenta à vida
e à paixão inspirada
que há dentro dela.
e corredia.
Abundância viva
e primordial.
Matéria escrita
no sentido das linhas
ou dos versos
que a esperam.
Água pronunciada
no dialecto da terra.
Matriz atenta à vida
e à paixão inspirada
que há dentro dela.
J. Alberto de Oliveira
14.6.11
SANGUE LIMPO
Não sou de ascendência nobre.
No meu nome não há posses, armas e pergaminhos.
Nasci com sangue limpo.
Dos meus antepassados herdei o que apenas preservo: a nobreza de alma e de sentimentos.
Nasci do lado do silêncio da memória.
O único destino ou a fortuna que me assiste, me julga e conjuga e faz distinto, é a sensibilidade.
Em mim próprio, a sensibilidade se mistura com a alteza de alma.
J. Alberto de Oliveira
4.6.11
SEGUIR COM O OLHAR
Seguir com o olhar
as coisas sem alcance.
E depois
depois adormecer
na escrita de haver
sono e lembranças.
A invisível sintaxe
de versos brancos.
J. Alberto de Oliveira
27.5.11
MANANCIAL DE ROSA
Primeiro alumiou
a nudez e o aprumo
de róseas manhãs.
Depois veio difundir
a aura do pensamento.
Primeiro foi dádiva
e leitura preciosa
no pulso do tempo.
Depois em cada hora
um manancial de rosa.
J. Alberto de Oliveira
26.5.11
CALIGRAFIA ESTRITA
27.4.11
PLENITUDE NOCTURNA
8.4.11
LUZINDO AO RELENTO
O PENSAMENTO EM SANGUE
7.4.11
NO HAUSTO DAS FONTES
Amar o silêncio
no hausto das fontes.Arrebatar ao luar
a furtiva cadência
de frases
cheias de relento.
Transpor o sentido
literal do sono
soletrando os nomes
da água e do fogo.J. Alberto de Oliveira
19.3.11
FLUIR EM FLOR
19.2.11
O LABOR DO LUME
1.2.11
A PALAVRA CERTA
26.1.11
MARFOLHO
20.1.11
UM VENTO DE TREVAS
30.12.10
A LÍDIMA LUZ DA ÁGUA
11.12.10
EM VERSO LIVRE
8.11.10
O APRUMO DO OUTONO
19.10.10
A JANELA DOS VENTOS
2.10.10
O OUTONO
24.9.10
O DELICADO LENÇO
3.8.10
UMA SÓ VEZ NA INFÂNCIA
Hoje lembrei-me de fugir
com um sonho de sete páginas em branco.
E fui sem dizer nada a ninguém.
Fugi para onde o tempo é um desenho livre.
Fui para o tempo de uma só vez na infância.
J. Alberto de Oliveira
16.7.10
POETICAMENTE
O poema que vou escrevendo irrompe nas folhas de rascunho como um ajuste de contas. Pela trama da emoção, pelo ritmo e rigor que lhe transmito, amadurece luzente e altivo.
O poema que vou escrevendo acontece à hora de vigília clandestina. Respira pela calada sensitiva do pensamento. Esquiva-se ao lápis da censura. Foge ao gume da tesoura inquiridora. Despista qualquer investigação policial.
Quero um poema que minta, ao ponto de se transfigurar em vórtice da verdade.
O poema é segredo e a estratégia. Sangra em silêncio e mistério.
No poema, sou mensageiro de mim ou de quê?
No poema que vou escrevendo, de quem é o desejo?
J. Alberto de Oliveira
12.7.10
UMA GOTA DE CHUVA
7.7.10
A LÍNGUA NO FOGO
Inteira e alumbrada ardia
nas frases sentidas que lia.
Com o gume cego dos ventos
ia pelo cristal da fala adentro.
Tangivelmente acendia
a língua no fogo de sete dias.
J. Alberto de Oliveira
26.6.10
A ALMA DE VER
1.6.10
VIANDANTES DA ALEGRIA
11.5.10
DA ALMA TANGÍVEL
21.4.10
A MULHER-DOÇURA DO VENTO
Sentada na soleira da porta, a mulher-doçura do vento recebia o que vinha do mar.
O visível e o invisível fluíam no seu olhar contemplativo.Entre leves sombras de névoa e luz, entre sons de linhas de água e a pronúncia de algumas frases, parecia-lhe ouvir musicalmente os segredos que há muito, muitíssimo tempo não ouvia assim.
Veio o Poeta. E, com a mão direita pousada no ombro da mulher, perguntou:
- Como te chamas?A mulher-doçura do vento respondeu:
- O meu nome anda perdido no livro da tua palavra.
J. Alberto de Oliveira
18.3.10
MATÉRIA ILUMINANTE
13.3.10
A SABEDORIA DO AVISO
E porque não entendia o sentido, insistiu na pergunta:
- A que te referes: aos porcos ou às pérolas?
- À sabedoria do aviso: não demos pérolas a porcos.
- Os porcos são animais imundos, comem tudo.
- As pérolas são indigestas e muito belas! - disse eu.
- Os porcos não gostam de pérolas?
- Calcam-nas aos pés com voluptuoso desdém.
E não entendia ou não queria entender o sentido.
Mas eu, mais tarde ou mais cedo, ainda hei-de trocar,
por um verso de pérolas, toda a metafísica do mar.
J. Alberto de Oliveira
16.2.10
ÍNDICE PERFEITO
4.1.10
LUMINOSAMENTE
15.12.09
A PORTA DO LIVRO
Há títulos de livros que revelam força, pujança e o poder da contemplação. Atraem o olhar e o pensamento. Inspiram desejos e a criatividade.
Há títulos que nos conduzem pela mão ao interior dos seus próprios livros.
Um título pede para nos ligarmos ao corpo do texto e ler até encontrar aquela frase perdida, a frase profunda e fascinante que tem mais poder que todas as outras.
O título e a frase encontrada não são a obra. Mostram apenas um ponto vital, uma chave iluminante, a sarça ardente do escritor em toda a sua sensibilidade e pensamento.
O acto de ler e reler é propício ao encontro de nós mesmos entrevistos nessa frase perdida no corpo do livro.
J. Alberto de Oliveira
2.12.09
PALAVRAS E ROSAS PRECLARAS
23.11.09
HELENA, O NOME
No pano cru da vida, o nome de alguém é feito com pontos de luz, sangue, sopro e sílabas.
Um nome não é biodegradável.
Helena, por exemplo, é um nome bonito para sempre.
Aquela que acendeu a guerra de Tróia chamava-se Helena. Todavia, o fulgor e o nome nunca se extinguiram.
Helena, o nome dado a tantas e muitas mulheres, é uma dádiva da fala. Deve ser dito e ouvido.
Vamos falar com a Helena!
Mas, vamos primeiro chamar por ela com a distinta sonoridade helénica.
8.11.09
UM VENTO DE VIDRO VIVO
NO CRISTAL DA MELANCOLIA
22.10.09
DA FALA DESEJANTE
29.9.09
O OFÍCIO DO POETA
O ofício e obrigação dos poetas não é dizerem as cousas como foram, mas pintarem-nas como haviam de ser ou como era bom que fossem.
Padre António Vieira
Os poetas são a harpa de apenas duas cordas: imaginação e sentimento.
Rosalia de Castro
As mães, quando acarinham os filhos, dizem-lhes muitas frases e palavras de equivalente significado, até encontrarem uma, aquela em que o maternal afecto se revele por inteiro, na sua máxima pujança e nitidez. Assim acontece no ofício do poeta.
J. Alberto de Oliveira
17.9.09
O CRISTAL DO PENSAMENTO
9.9.09
A HORAS INCERTAS
28.8.09
O ÂMAGO DO VERBO
20.7.09
AS PRIMEIRAS LETRAS
11.7.09
10.7.09
DAR À LUZ
Dar à luz. Nascer.
Foi dado à luz, assim se diz.
Mas eu não fui dado à luz.
Nasci às três horas da madrugada do dia _________.
Eu fui dado à noite.
A luz, a claridade fulgurante, eu a procuro e vou dando a mim próprio.
É nesta confluência da noite com o dia que o devir me esboça e designa.
J. Alberto de Oliveira
Foi dado à luz, assim se diz.
Mas eu não fui dado à luz.
Nasci às três horas da madrugada do dia _________.
Eu fui dado à noite.
A luz, a claridade fulgurante, eu a procuro e vou dando a mim próprio.
É nesta confluência da noite com o dia que o devir me esboça e designa.
J. Alberto de Oliveira
22.6.09
A SÍNTESE DO FOGO
10.6.09
EM SETE VERSOS
6.6.09
METÁFORA AMANTE
Subscrever:
Mensagens (Atom)











