11.7.09
10.7.09
DAR À LUZ
Dar à luz. Nascer.
Foi dado à luz, assim se diz.
Mas eu não fui dado à luz.
Nasci às três horas da madrugada do dia _________.
Eu fui dado à noite.
A luz, a claridade fulgurante, eu a procuro e vou dando a mim próprio.
É nesta confluência da noite com o dia que o devir me esboça e designa.
J. Alberto de Oliveira
Foi dado à luz, assim se diz.
Mas eu não fui dado à luz.
Nasci às três horas da madrugada do dia _________.
Eu fui dado à noite.
A luz, a claridade fulgurante, eu a procuro e vou dando a mim próprio.
É nesta confluência da noite com o dia que o devir me esboça e designa.
J. Alberto de Oliveira
22.6.09
A SÍNTESE DO FOGO
10.6.09
EM SETE VERSOS
6.6.09
METÁFORA AMANTE
22.5.09
A EMOÇÃO DE BACH
Algumas vezes a mulher de Bach surpreendeu o marido a chorar quando ele escrevia música.
A profunda emoção do compositor atingia esse ponto.
Na sua vastíssima obra, porém, a emoção foi sempre outra: esteticamente sublime, frondosa e alta como toda a arquitectura do Universo.
Na música de Bach não há choro, choradinhos e choradeiras.
A profunda emoção do compositor atingia esse ponto.
Na sua vastíssima obra, porém, a emoção foi sempre outra: esteticamente sublime, frondosa e alta como toda a arquitectura do Universo.
Na música de Bach não há choro, choradinhos e choradeiras.
J. Alberto de Oliveira
9.5.09
OLHOS DE PISCINA

Eram os anos 40 e o poeta brasileiro Manuel Bandeira estava numa "tristeza danada" por causa de uma mulher. Saiu do Praia Bar, no Flamengo, e quando ia "na calçada" encontrou a jornalista e escritora Clarice Lispector, que passeava de braço dado com o seu noivo, Maury.
O poeta fica impressionado com "os olhos da moça". E contou este episódio ao jornalista Rubem Braga que não perdeu tempo e escreveu uma crónica, O poeta e os olhos da moça, que começa assim: "Conversa vai, conversa vem, eu disse um nome de uma mulher. O poeta me confessou que há muitos, muitos anos, tem vontade de fazer um poema sobre uma história que ele teve com essa mulher a que chamaremos Maria. Espanto-me: não sabia que o poeta tinha tido alguma história com a Maria. Ele ri: – Não pensa que eu tive um caso com ela. Foi apenas uma impressão minha, foi uma coisa tão subjectiva mas inesquecível – (...) Quando vou pisando na calçada me encontro com Maria, que vem de braço dado com o noivo. Meus olhos entraram directamente nos seus. Meus olhos, com toda a minha tristeza, toda a minha alma desgraçada, entraram de repente nos seus, mergulharam completamente neles. Ela se deteve um instante – eu só via aqueles olhos verdes – e me recebeu como se fosse uma piscina (...)."
Quando Rubem Braga contou esta história a Clarice Lispector, ela não se conseguiu recordar desse encontro e olhou-o, "admirada, com os seus olhos de piscina".
Isabel Coutinho – Público – 06/04/2009
8.5.09
NUM ÂNGULO BRANCO
O poeta que assim escreve,
também ele viu o pássaro que entrou aflito na sala de
exame de Geometria Descritiva – 18/07/2008 – na ESAG.
Enquanto escolhes
visões novas do belo
há um alvoroço da ave
que entrou à deriva
num ângulo branco.
Na área mais viva
das respostas
que nem tu sabes dar.
J. Alberto de Oliveira
Enquanto escolhes
visões novas do belo
há um alvoroço da ave
que entrou à deriva
num ângulo branco.
Na área mais viva
das respostas
que nem tu sabes dar.
J. Alberto de Oliveira
3.5.09
CLARICE LISPECTOR

Clarice Lispector, brasileira de origem ucraniana, deixou um rasto singular na literatura de Língua Portuguesa.
«Amo esta língua», dizia.
«Não é uma língua fácil. É um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve querendo roubar às coisas e pessoas a sua primeira camada superficial. É uma língua que por vezes reage contra um pensamento mais complexo. Por vezes o imprevisto de uma frase causa-lhe medo. Mas eu gostava de manejá-la – tal como outrora gostava de montar um cavalo para o levar pelas rédeas, umas vezes lentamente, outras a galope.»
23.4.09
A VENTANIA DO SONHO
21.4.09
14.4.09
ESCREVER
12.4.09
7.3.09
A FACA NÃO CORTA O FOGO
isto que às vezes me confere o sagrado, quero eu
dizer: paixão: tirar,
pôr, mudar uma palavra, ou melhor: ficar certo
com a vírgula no meio da luz,
dividindo,
erguendo-me do embrulho da carne obsessiva:
que eu habite durante uma espécie de eternidade
o clarão —
Herberto Helder – A faca não corta o fogo
Fotografia: J. A. de Oliveira
27.2.09
26.2.09
ALGURES NO LIVRO
10.2.09
8.2.09
O FULGOR DE FLOR
7.2.09
LUXUOSA A FERIDA
21.1.09
OS LIVROS

Os livros são a escada para a casa que ensina a ler e permitem um extraordinário atractivo para o amor, porque transmitem palavras. Nos livros há sempre uma página que te fala.
Os livros são da substância dos beijos e da boca. Os livros
sentam-se à mesa num estético convívio e, depois, a sua liberdade é tal que, se as folhas se partem, regressam por si sós ao ponto de partida e juntam-se.Quem vê os livros serem pombas somente ligadas por uma fita de voo?
J. Alberto de Oliveira
(com muito ou tudo quase de Maria Gabriela LLansol)
13.1.09
NO CRISTALINO DO DIA
7.1.09
COM A VIDA SE FALA

– Sempre escrevi para uma mãe
– Eu sei. A viver com a vida se fala, Teresa. Só com ela podemos falar. Fala com a tua. Não fales sobre ela. Olha o teu amigo – só lhe resta o desenho de um olhar. Fala com ele. Dá-lhe um corpo
– Isso é ser mãe
– Não, isso é escrever. Meu Deus, vais morrer. Por uma única vez, fala com a tua vida
– A minha vida é ele
Maria Gabriela Llansol – ARDENTE TEXTO JOSHUA
3.1.09
29.12.08
22.12.08
BILHETE DE NATAL
15.12.08
O VAGABUNDO

A personagem de Charlot, que tantos críticos e biógrafos endeusaram ao serviço das conveniências de cada um, aparece-nos reduzida às justas proporções, com feições de anjo e traços de demónio, meio Quixote, meio Sancho Pança, com coração, cabeça e estômago – o que o torna a figura cem por cento humana.
Esse retrato “tirado pelo natural” desconcerta e decepciona os hagiógrafos de São Charlot, pois desfaz todas as teorias que à roda do bonifrate chaplinesco erigiram para edificação da humanidade.
Chaplin descreve com prodigiosa lucidez o carácter da sua genial criação, que lhe surgiu a bem dizer inteira e completa naquela tarde de Edendale, quando pôs “umas calças muito largas, uns sapatos muito grandes, bengala e chapéu de coco”, e adoptou um bigodinho que o fizesse parecer menos jovem sem contudo lhe esconder a expressão. Indumentária que ele quis “contraditória”, de harmonia com a própria personagem: “as calças largas e o casaco apertado, o chapéu muito pequeno e as botas enormes”. E logo descreveu a Mack Sennett o tipo multifacético que imaginara: “um vagabundo e ao mesmo tempo um cavalheiro, um poeta, um sonhador, um solitário, sempre ansioso por idílios e aventuras”, que “gostaria que o tomassem por um sábio, um músico, um duque ou um jogador de pólo”, mas que “não desdenha apanhar uma beata do chão ou furtar o chupa-chupa a um bebé”, nem “perde a ocasião de dar um pontapé no traseiro de uma senha... mas só quando está fulo!”
Naquele cenário de átrio de hotel em que lhe ensaia os primeiros passos, Chaplin tem a impressão de que Charlot, empertigado e afectado, é “um impostor que se fazia passar por cliente, quando na realidade era um vagabundo que apenas procurava abrigo”.
António Lopes Ribeiro
in “Charles Chaplin – Autobiografia”
9.12.08
QUE HORAS SÃO?

Deve-se estar sempre embriagado. Nada mais importa.
Para que o horrível fardo do tempo não vos pese sobre os ombros e vos faça pender para a terra, deveis embriagar-vos sem cessar.
Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha.
Mas embriagai-vos!
E se um dia nos degraus de um palácio, na erva verde de uma valeta, na solidão baça do vosso quarto, acordardes, já sóbrios, perguntai ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai:
– Que horas são?
– São horas de vos embriagardes!
Para que não sejais os escravos martirizados do tempo, embriagai-vos sem cessar. De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha.
Charles Baudelaire(Tradução: Jorge Sousa Braga)
8.12.08
A NEVE
CITAÇÕES DO OLHAR
S. FRANCISCO DE ASSIS
S. Francisco de Assis falava outrora
Às aves e às ervinhas, triste e só…
Se tudo quanto vive, sofre e chora,
É a mesma alma eterna, o mesmo pó!
Por isso ele sentia pena e dó
Por tudo quanto doira a luz da aurora,
E não bebeu no poço de Jacob
Aquela água de vida redentora.
Irmão morte, irmão corpo, irmãs ervinhas!
Ó pedras! Ermas fontes pobrezinhas!
Lobos, uivando à lua, em erma serra!
Quanto vos amo em Deus! E sinto bem
Que esta terra que eu beijo é nossa mãe
E que a sombra de Deus anda na Terra!
Teixeira de Pascoaes
Fotografia: J. Alberto de Oliveira
15.10.08
7.10.08
O SILÊNCIO VIBRANTE
(...) Falo de uma viagem onde é possível perder o próprio nome, e morrer disso.
E então viver.
Não dormindo, como as nossas bestas respeitáveis.
Viver - digo eu.
E que o nosso afastamento, o silêncio vibrante, a grande morte pensada e amada nas profundidades - fossem bastante para vergar as bestas todas, empurrá-las pelo seu próprio sono abaixo, afundá-las até ao inferno.
Herberto Helder - Apresentação do Rosto
NA CARREIRA DA ESTRELA

Entrando eu num eléctrico (recordo-me bem, era da carreira da Estrela), deparo com Fernando Pessoa que me pergunta de chofre:
– Já notou uma coisa, ó Pascoaes? Há escritores de quem toda a gente fala e ninguém lê, e outros de quem ninguém fala e toda a gente lê. E destas duas espécies, qual, em seu entender, tem mais valor?
Respondi que aqueles de quem toda a gente fala e ninguém lê, e Fernando Pessoa rematou:
– É também a minha opinião.
(De uma entrevista de Teixeira de Pascoaes)
5.10.08
A PRIMEIRA VIAGEM
3.10.08
ESTRELA VIVA NO CÉU
19.9.08
UMA VARA DE FOGO
18.9.08
FIGURAS DE BRUMA
TRÊS VEZES AMOR
30.7.08
SALMO
23.7.08
A CASA
25.6.08
O SEGREDO MAIOR
No lugar onde ouvi
o segredo maior
havia um tanque
de água e limos
e delírios da alma.
Florido estremecia
na água o linho.
Estremecia o silêncio
rente à flor do segredo.
J. Alberto de Oliveira
12.6.08
O MENSAGEIRO
10.6.08
DUAS PALAVRAS
- Onde vais buscar o linho verbal que há nos teus versos?
- À substância unitiva e configurante dessas mesmas duas palavras.
J. Alberto de Oliveira
4.6.08
A PRONÚNCIA MUSICAL DE J. S. BACH
6.5.08
O ROSTO QUE SONHA

para José Rodrigues
Não se sabe donde
vêm a mão
o silêncio e a luz.
Com elementos primordiais
e legendas vivas
do Santo de Assis
descem e mostram o rosto
que sonha demasias.
São demasias de ser
e ternura.
Debaixo da mão
do silêncio e da luz
resplende e sonha
o primeiro de muitos rostos.
J. Alberto de Oliveira
5.5.08
DO CANTO MAIOR

[...] perguntam à Sulamita o que o seu amado tem de particular, sobretudo que tem ele que elas também não tenham nos seus
com as colunas e as minhas longas pernas onde gosta de se enrolar como heras e vinha virgem, embrenhou-se, parou ofegante,
deslizava pela minha pele mais escura que a noite, corria pelas minhas formas mais firmes que o solo dos seus combates e, finalmente, depôs em mim o segredo do seu veneno; quando acordei, estava só e tive medo que tivesse morrido ou, se morto,
eu não conseguisse encontrá-lo como meu, ou eu?
Maria Gabriela Llansol - ONDE VAIS DRAMA-POESIA?
10.4.08
OS SONS DA MELANCOLIA
4.4.08
A ALMA A PRUMO
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