10.2.09
8.2.09
O FULGOR DE FLOR
7.2.09
LUXUOSA A FERIDA
21.1.09
OS LIVROS

Os livros são a escada para a casa que ensina a ler e permitem um extraordinário atractivo para o amor, porque transmitem palavras. Nos livros há sempre uma página que te fala.
Os livros são da substância dos beijos e da boca. Os livros
sentam-se à mesa num estético convívio e, depois, a sua liberdade é tal que, se as folhas se partem, regressam por si sós ao ponto de partida e juntam-se.Quem vê os livros serem pombas somente ligadas por uma fita de voo?
J. Alberto de Oliveira
(com muito ou tudo quase de Maria Gabriela LLansol)
13.1.09
NO CRISTALINO DO DIA
7.1.09
COM A VIDA SE FALA

– Sempre escrevi para uma mãe
– Eu sei. A viver com a vida se fala, Teresa. Só com ela podemos falar. Fala com a tua. Não fales sobre ela. Olha o teu amigo – só lhe resta o desenho de um olhar. Fala com ele. Dá-lhe um corpo
– Isso é ser mãe
– Não, isso é escrever. Meu Deus, vais morrer. Por uma única vez, fala com a tua vida
– A minha vida é ele
Maria Gabriela Llansol – ARDENTE TEXTO JOSHUA
3.1.09
29.12.08
22.12.08
BILHETE DE NATAL
15.12.08
O VAGABUNDO

A personagem de Charlot, que tantos críticos e biógrafos endeusaram ao serviço das conveniências de cada um, aparece-nos reduzida às justas proporções, com feições de anjo e traços de demónio, meio Quixote, meio Sancho Pança, com coração, cabeça e estômago – o que o torna a figura cem por cento humana.
Esse retrato “tirado pelo natural” desconcerta e decepciona os hagiógrafos de São Charlot, pois desfaz todas as teorias que à roda do bonifrate chaplinesco erigiram para edificação da humanidade.
Chaplin descreve com prodigiosa lucidez o carácter da sua genial criação, que lhe surgiu a bem dizer inteira e completa naquela tarde de Edendale, quando pôs “umas calças muito largas, uns sapatos muito grandes, bengala e chapéu de coco”, e adoptou um bigodinho que o fizesse parecer menos jovem sem contudo lhe esconder a expressão. Indumentária que ele quis “contraditória”, de harmonia com a própria personagem: “as calças largas e o casaco apertado, o chapéu muito pequeno e as botas enormes”. E logo descreveu a Mack Sennett o tipo multifacético que imaginara: “um vagabundo e ao mesmo tempo um cavalheiro, um poeta, um sonhador, um solitário, sempre ansioso por idílios e aventuras”, que “gostaria que o tomassem por um sábio, um músico, um duque ou um jogador de pólo”, mas que “não desdenha apanhar uma beata do chão ou furtar o chupa-chupa a um bebé”, nem “perde a ocasião de dar um pontapé no traseiro de uma senha... mas só quando está fulo!”
Naquele cenário de átrio de hotel em que lhe ensaia os primeiros passos, Chaplin tem a impressão de que Charlot, empertigado e afectado, é “um impostor que se fazia passar por cliente, quando na realidade era um vagabundo que apenas procurava abrigo”.
António Lopes Ribeiro
in “Charles Chaplin – Autobiografia”
9.12.08
QUE HORAS SÃO?

Deve-se estar sempre embriagado. Nada mais importa.
Para que o horrível fardo do tempo não vos pese sobre os ombros e vos faça pender para a terra, deveis embriagar-vos sem cessar.
Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha.
Mas embriagai-vos!
E se um dia nos degraus de um palácio, na erva verde de uma valeta, na solidão baça do vosso quarto, acordardes, já sóbrios, perguntai ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai:
– Que horas são?
– São horas de vos embriagardes!
Para que não sejais os escravos martirizados do tempo, embriagai-vos sem cessar. De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha.
Charles Baudelaire(Tradução: Jorge Sousa Braga)
8.12.08
A NEVE
CITAÇÕES DO OLHAR
S. FRANCISCO DE ASSIS
S. Francisco de Assis falava outrora
Às aves e às ervinhas, triste e só…
Se tudo quanto vive, sofre e chora,
É a mesma alma eterna, o mesmo pó!
Por isso ele sentia pena e dó
Por tudo quanto doira a luz da aurora,
E não bebeu no poço de Jacob
Aquela água de vida redentora.
Irmão morte, irmão corpo, irmãs ervinhas!
Ó pedras! Ermas fontes pobrezinhas!
Lobos, uivando à lua, em erma serra!
Quanto vos amo em Deus! E sinto bem
Que esta terra que eu beijo é nossa mãe
E que a sombra de Deus anda na Terra!
Teixeira de Pascoaes
Fotografia: J. Alberto de Oliveira
15.10.08
7.10.08
O SILÊNCIO VIBRANTE
(...) Falo de uma viagem onde é possível perder o próprio nome, e morrer disso.
E então viver.
Não dormindo, como as nossas bestas respeitáveis.
Viver - digo eu.
E que o nosso afastamento, o silêncio vibrante, a grande morte pensada e amada nas profundidades - fossem bastante para vergar as bestas todas, empurrá-las pelo seu próprio sono abaixo, afundá-las até ao inferno.
Herberto Helder - Apresentação do Rosto
NA CARREIRA DA ESTRELA

Entrando eu num eléctrico (recordo-me bem, era da carreira da Estrela), deparo com Fernando Pessoa que me pergunta de chofre:
– Já notou uma coisa, ó Pascoaes? Há escritores de quem toda a gente fala e ninguém lê, e outros de quem ninguém fala e toda a gente lê. E destas duas espécies, qual, em seu entender, tem mais valor?
Respondi que aqueles de quem toda a gente fala e ninguém lê, e Fernando Pessoa rematou:
– É também a minha opinião.
(De uma entrevista de Teixeira de Pascoaes)
5.10.08
A PRIMEIRA VIAGEM
3.10.08
ESTRELA VIVA NO CÉU
19.9.08
UMA VARA DE FOGO
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