Maria Gabriela Llansol, que "temia a impostura da língua", tornou-se vulnerável às "sombras do luar libidinal". Doou-nos o fulgor da textualidade. Convida-te a seres legente do texto, do "desejo insustentável de eternidade". M. G. Llansol ensina que "escrever é amplificar pouco a pouco" e que o acto de ler é "uma alma crescendo".
Os poetas, os santos, os artistas - no seu obstinado desassossego e desejo de perfeição - atingem a consciência, a lucidez sensível e altiva do que são e onde estão: para além da margem.
A mulher que em setembro corre ao vento pelo mundo alude o amor e o sangue de seu maternal aprumo. Resplendece ao vento a mulher que em setembro leva rosas da infância e júbilo em seus cabelos.
Talvez as águas em vertigem me assinalem o rosto e os pensamentos a alma e os sentidos do corpo todo. Não olhes nem lhes toques. É um abismo de vida o perigo de morte.
Trata-se de um nome escrito ao frio muito branco da lua. Trata-se do esplendor de geadas e linho puro num lenço antigo. Num lenço que dizes ser quase de amor.
Quando nasci - e foi o que disseste - eu era o meninopoeta que não dizia nem escrevia os versos que em mim havia. E quando vier a hora bendita da minha morte, seja eu poetamenino. E sejam de asa ou de névoa os últimos versos da minha vida.